quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

POESIA: FERVOROSA TERNURA - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES



FERVOROSA TERNURA


                       Vanda Lúcia da Costa Salles




é tão antigo esse sentimento
que atinge a todos nós, de grande
cabe
na ínfima luz
que transparece
no rubor desse amor-perfeito,
amor ambientado,
perfeito amor, quedado
nas covinhas sorridentes
desse rebento em flor
que ora
resplandece
ao nosso lado



domingo, 30 de dezembro de 2012

POESIA: AMOR-AGARRADINHO-AMOR - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES



AMOR-AGARRADINHO-AMOR


                         VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES


a boca apetece o gosto, encanto roça o jardim
no goto saudade espreme seiva,
roça cheiro,
sufoca,
firula-se espinhos e espanto
aqui,
campânulas adormecem
no peito audacioso de um bem-te-vi
na rede dengo embala o dia,
Bela- Emília ri,
geme,
despoetizando pétalas
no canto,
amor-agarradinho, amor &
beijos,


Ah, e esse bichano à espreita!






domingo, 23 de dezembro de 2012

CRÔNICA: FELIZ NATAL - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES

Foto: Samuel e Miguel andando de carrinhos (Brasil)



FELIZ NATAL



                         Vanda Lúcia da Costa Salles



     A garotada alegre sorria com os coloridos carrinhos. Um alvoroço na fila anunciava que o tempo não transtornava a possibilidade de experimentar todos os bate-bate. Uma alegria é maior que o deslize de lágrimas impuras.
     O menino de camiseta rosa dizia todo prosa agarrado a mão de sua mãe, afastando-se da imensidão de pernas que o impediam de mirar o seu presente de Natal, " sim, mãe, eu quero de presente de Natal um passeio nos bate-bate. Um não, dois. Papai Noel disse que eu pedisse isso para você". A mãe, um pouco amedrontada por conta dos parcos dinheirinhos na bolsa, enxugava um filete de lágrima que teimava ficar em sua face, até secar ao tempo. De súbito, transportada no tempo, em tempo vislumbrou-se pequenina igual ao filho, segurando firme a mão de sua mãe, em frente a padaria do seu Zé da esquina, desejando de presente de Natal as mais saborosas rosquinhas carameladas e que dificilmente entrariam no cardápio da família. No frio da manhã, disse a mãe que queria uma caixa das rosquinhas carameladas como presente de Natal. A mãe nervosa, afirmou categoricamente:
    - Nem pensar! - Você sabe que o dinheiro de seu pai anda curto. Mal temos para o grosso, quanto mais para o fino.
     Pirracenta, não entendendo nada de economias, chorrava saboreando as rosquinhas com os olhos amorosos em desejos infantis, para depois espichar-se no chão reafirmando o seu amor:
     - Mais eu quero!  Eu quero!   Eu quero!  Somente uma caixinha!  Uma apenas!  É todo o sonho de minha vida!
      Não teve jeito. E até aquele instante preciso, compreendeu afinal o porquê de sempre rolar em sua face àquelas lágrimas impuras, indesejadas, tão sonhadoras. Sem pensar, e nem querendo saber se teria o bastante para voltar a casa, correu arrastando o filhote pela mão em direção a fila dos carrinhos coloridos. E sem contar as carinhas de alegria das criançadas, percebeu a imensa alegria de seu filho ao derramar sua felicidade  nas faces coradas, no profundo de seu coração, para depois escorrer lentamente como pincelada de um artista consagrando sua obra-prima. Enquanto o filho experimentava o prazer do seu presente de Natal, ela correu os olhos buscando o lugar ideal para dar a si mesma um presente de Natal, e talvez com sorte seria uma rosquinha caramelada, e quem sabe secasse em sua face àquela lágrima impura.


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

POESIA: CAMINHO FRACTUAL - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES









CAMINHO FRACTUAL

                                         A   Pierre Lévy



                         Vanda Lúcia da Costa Salles (Brasil)



amantes líquidos sementes grãos de sonhos e
utopias quixotescas circulando no compasso de teus
passos eretos sapiens humanoides asteroides vindo em vinho copo
translúcido igual branca imagem cósmica da coletiva mente
mente e sente o orgasmo tântrico quando o DNA se acopla na noite 
viva que a vida orquestra a vida
e a ave dança majestosamente a dança do
acasalamento quando Nietzsche transvalora
o valor estético da palavra sem ciberespaçopatia do pensamento eletivo no sorriso cativante de Pierre Lévy  e como amo amo o amor das palavras tuasminhasnossas um ai como podemos como como partícula goma como mais ainda na cama essa poesia invasora asa afora
loa romã
caos
&
pi


um picolé limão lima limona é nada nada fecunda se no tudo é onda anda que na ausência flutua a presença tua tão amada como literalmente o dia nesse dia em que a descoberta não finda nada é permanente se a mente abraça sinapses estrela-guia na era era tudo o que queríamos
na ternura
do encontro
há quem sonhe
e mergulhe
fundo fundo fundo fundo fundo no abismo oceânico do prazer
e no fundo é somente a fé que vale no vale mais profundo em que o saborear mais vale no encanto
da floresta
um canto
ecoa

avevoaavevoavoaaveavevoavoaavevoa 

sábado, 20 de outubro de 2012

POESIA: ESSE NOSSO AMOR - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES

Foto:  Cotidiano (Paris-França), por Chantal


ESSE NOSSO AMOR


                        Vanda Lúcia da Costa Salles



das artes, o coração da pintura
bate
no embate
com que pincelas
a tela
cotidianamente
 esse nosso amor
se disfarça criativo
e revela
o que não deveria ser norma
e sim
apenas canção
ou simplesmente exercício da pena


Quem dera, as uvas fossem o que do bandolim quis a pauta!



sábado, 6 de outubro de 2012

POESIA: FLAMINGOS - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES

Foto: Flamingos





 FLAMINGOS


                       Vanda Lúcia da Costa Salles



 quando a família chega e agasalha
resvala como um processo de aprendizado integral
intuitivamente optam
e  na estética laranja de suas plumagens
a harmonia gera a aprendizagem
              da coeducação



domingo, 30 de setembro de 2012

POESIA: NO BICO DO TUIUIÚ - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)

Foto: Tuiuiú




    NO BICO DO TUIUIÚ


                              Por: Vanda Lúcia da Costa Salles (Brasil)



    no murmúrio das águas, o esforço do canto
onde palavras não cabem
                            ao espanto
                                         súbito
                                                 do voo
                                                          para cada inseto que pula,
                                                               seixos adormecem nas margens.
                                                                                              alguma coisa destemida
                                                                                                                     não silencia ante o bico da ave
                                                                                                                                                    que baba
ousar é doutrina da vida,
se bem que no amarelo das flores
ou
nas raízes aquáticas das jiboias
dançam as ondinas e seus séquitos de luz