Foto: Cotidiano (Paris-França), por Chantal
ESSE NOSSO AMOR
Vanda Lúcia da Costa Salles
das artes, o coração da pintura
bate
no embate
com que pincelas
a tela
cotidianamente
esse nosso amor
se disfarça criativo
e revela
o que não deveria ser norma
e sim
apenas canção
ou simplesmente exercício da pena
Quem dera, as uvas fossem o que do bandolim quis a pauta!
sábado, 20 de outubro de 2012
sábado, 6 de outubro de 2012
POESIA: FLAMINGOS - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES
Foto: Flamingos
FLAMINGOS
Vanda Lúcia da Costa Salles
quando a família chega e agasalha
resvala como um processo de aprendizado integral
intuitivamente optam
e na estética laranja de suas plumagens
a harmonia gera a aprendizagem
da coeducação
FLAMINGOS
Vanda Lúcia da Costa Salles
quando a família chega e agasalha
resvala como um processo de aprendizado integral
intuitivamente optam
e na estética laranja de suas plumagens
a harmonia gera a aprendizagem
da coeducação
domingo, 30 de setembro de 2012
POESIA: NO BICO DO TUIUIÚ - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)
Foto: Tuiuiú
NO BICO DO TUIUIÚ
Por: Vanda Lúcia da Costa Salles (Brasil)
no murmúrio das águas, o esforço do canto
onde palavras não cabem
ao espanto
súbito
do voo
para cada inseto que pula,
seixos adormecem nas margens.
alguma coisa destemida
não silencia ante o bico da ave
que baba
ousar é doutrina da vida,
se bem que no amarelo das flores
ou
nas raízes aquáticas das jiboias
dançam as ondinas e seus séquitos de luz
NO BICO DO TUIUIÚ
Por: Vanda Lúcia da Costa Salles (Brasil)
no murmúrio das águas, o esforço do canto
onde palavras não cabem
ao espanto
súbito
do voo
para cada inseto que pula,
seixos adormecem nas margens.
alguma coisa destemida
não silencia ante o bico da ave
que baba
ousar é doutrina da vida,
se bem que no amarelo das flores
ou
nas raízes aquáticas das jiboias
dançam as ondinas e seus séquitos de luz
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
POESIA: NITERÓI... - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES
Foto: Niterói, por Vanda Lúcia da Costa Salles
NITERÓI - Do Leão e da Doralice
Vanda Lúcia da Costa Salles
A cidade sorria em festa.
fazia fita, mas
o burburinho espantava as moscas
do tédio
das sombras
das nuvens
dos prédios
das pernas apressadas nessa manhã de quarta-feira
em que obrigatoriamenteeeeeeeeeeeeeeeeee
paga-se-á
a receita
se não
o Leão
comerá todo o salário do trabalhador, ano que vem
haverá,
se Deus quiser,
a possibilidade e um samba no pé
pensava Lelé, enquanto
o Mané sacudia a cabeça, e
seguia o ritmo
e a Doralice gritava
"Quem vai? Quem vai? É 1,99, patrão!"
II
Escorregando-se da mão de sua mãe, a criança admirada
seguia
o cheiro de fritura de pastéis
III
A poética urbana, no centro
não incomodava a passagem da lavadeira e sua filha
nem quem seguia o apito das barcas que atracava
NITERÓI - Do Leão e da Doralice
Vanda Lúcia da Costa Salles
A cidade sorria em festa.
fazia fita, mas
o burburinho espantava as moscas
do tédio
das sombras
das nuvens
dos prédios
das pernas apressadas nessa manhã de quarta-feira
em que obrigatoriamenteeeeeeeeeeeeeeeeee
paga-se-á
a receita
se não
o Leão
comerá todo o salário do trabalhador, ano que vem
haverá,
se Deus quiser,
a possibilidade e um samba no pé
pensava Lelé, enquanto
o Mané sacudia a cabeça, e
seguia o ritmo
e a Doralice gritava
"Quem vai? Quem vai? É 1,99, patrão!"
II
Escorregando-se da mão de sua mãe, a criança admirada
seguia
o cheiro de fritura de pastéis
III
A poética urbana, no centro
não incomodava a passagem da lavadeira e sua filha
nem quem seguia o apito das barcas que atracava
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
POESIA: CAPIM DOURADO - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)
CAPIM DOURADO
Vanda Lúcia da Costa Salles (Brasil)
você dialogava
introduzindo a sua teoria
literária
quando o velho cacique
trançou o cocar
com seus dedos octogenário
e do capim dourado surgiu
a verdadeira história
da floresta
(Alcântara-São Gonçalo, 03 de setembro de 2012)
terça-feira, 21 de agosto de 2012
POESIA; A VIDA - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)
Foto: A VIDA, PABLO PICASSO
A VIDA
Vanda Lúcia da Costa Salles (Brasil)
andando para lá
andando para cá,
lá e cá,
uma
quase
melancólia infinitamente azul
a vida é,
os mesmos pés descalços que a tela canta
na agonia
da rejeição
dessa introspecção já em extinção
pessoas andam
simultaneamente azuis, falam sozinhas, em voz tão alta
esquizofrênicas
cegas ao ambiente ao redor
cá e lá,
em parques, em aeroportos, em ruas
pessoas estão assim
frenéticas, anoréxicas, sem direção
param
e desejam que a cueca tenha a marca na moda
aquática
a caverna possui apenas sombras
com a bola
a vez não chega, a dor enche as cores, a tinta
escreve o que não se diz
um rosa não é apenas rosa e é mais que rosa: é colorido,
a vida
é algo fora do comum quando a delícia estala a boca
e se prova
entre variados matisses
Lebre estufada feita por Madame Matisse à moda de Perpignan
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
POESIA: UMA SOMBRA AMENA - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)
Foto: Praia de Icaraí-Niterói
UMA SOMBRA AMENA
Por: Vanda Lúcia da Costa Salles (Brasil)
I
apenas, olho a olho,
à sombra de uma amendoeira praiana,
a areia dizia sim
a mim
o que necessito pouco importa
se o livro que lês
aprecia o dia
ou se o menino que passa
tem medo do sorriso clarão da manhã
ou até mesmo,
se aquele peito bate mais forte
enquanto circulas na praia de Icaraí
sem temor ou pudor
de ser tupiniquim,
se é tão normal jogar uma pelada domingueira
mas tudo que aconteceu com ele foi
sonhar loucamente e pregar
que o amor é uma coisa boa
assim, entende-se a paixão de
se deitar corpo a corpo
mesmo que em declive,
no exato momento,
em que o fruto cai
II
uma amêndoa parece
doce
como se estivéssemos submerso
apesar da maré revolta
todavia saiba,
não o é
III
os apartamentos espiam os transeuntes,
atravessam os corredores,
semáforos acendem,
faróis e buzinas impactam o silêncio,
esticam as pernas as gaivotas
porque não nasceram para sofrer,
disse um dia,
naquele dia de horror,
a fome em desalinho
IV
uma música rola no ar,
Ah! Não existe mensagem na garrafa que boia.
V
seria original a história?
VI
uma saudade bate,
um filete de lágrima rola,
e molha
a amnésia do instante
um deleite se você estivesse aqui,
sorrindo daquele mesmo jeito quando
desatou os nós
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