Foto: Pintura de Renoir
DO VERDE, NO AMANHECER DE TEUS OLHOS
Por: Vanda Lúcia da Costa Salles (Brasil)
Querido Renoir,
capto o teu olhar
como quem enamora-se da vida
porque a beleza deixou-se entrever
e mais que um prazer
é encontrar-me no deleite
do verde, no amanhecer de teus olhos.
Bem dizia-me, Senhora minha:
a Arte,
encanto da alma,
toque das Musas,
dom dos Deuses,
é o Sonho que devemos percorrer, assim,
exatamente como meus dedos em sua pele
Ah! Senhor, de minha contemplação
o que esperar quando se tem o coração do artista?
Apenas, sorrio e gozo, na vida: a imortalidade!
domingo, 17 de junho de 2012
sexta-feira, 11 de maio de 2012
PROSA: A MÃE DE MINHA MÃE - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES
Foto: Museu do Louvre
A MÃE DE MINHA MÃE
VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES ( RIO DE JANEIRO-BRASIL)
" Admirável a mãe de minha mãe quando contava as suas velhas histórias, embriagadoras de riso e perfeição criativa, nos fazendo esquecer que faltava de quase tudo nas panelas silenciadas no fogão de sua cozinha. E vivíamos a espera de seu afetuoso convite "Vamos catar pitangas, gurizada?"
De papai, nada sabíamos, apenas que abandonara a casa quando Manoela nascera, e isso já ia para uns 10 anos. A mamãe enlouquecera de dor, nem tanto do abandono amoroso, muito mais quando Quiquinho virou uma estrelinha e passou a habitar o azulão do céu do Senhor e ela conviver num tal Ego, conforme palavras da mãe de minha mãe.
Hoje, exatamente hoje, a mãe de minha mãe afagou nossos corações: fez o convite esperado ao gritar bem cedinho, com a matula já preparada:
- Pula da cama gurizada, vamos catar pitangas! - enquanto arrumava um lenço estampado na cabeça grisalha, sacudia os lençóis, apanhava os puçás e disparava os seus "causos" inusitados ao indagar: Por acaso, eu já contei a vocês " As Aventuras do Capitão Leocádio? - e continuou, fazendo cara de estupefata:
- Não!?
- Não! - disse Manoela.
- Vovó tenho sede! - insinuou Martinho.
- Pronto, aqui está a sua água. - e continuou: - Pois saibam que é uma bela história, dentro de uma outra história, porque nessa mesma mata onde iremos trilhar a procura de pitangas, o esperto Capitão Leocádio - o pai do meu avô -, escondeu um grande tesouro que ganhou dos guaranis quando casou com a bela Indiara, filha do Cacique da tribo, ao capturá-la estalando folhinhas de pitanga dentro da mata virgem, em Arraial do Cabo.
Por uns segundo, a mãe de minha mãe esquecia de tudo, seus olhos duas jabuticabas, brilhavam como se a felicidade em forma de lembranças beijasse o seu coração e a convidasse a bailar. E ela, com toda a sua doçura e expressividade, povoava a nossa imaginação de criança querendo aprender todos os mistérios escondidos, no coração da terra. E quando ela falava, a gente apenas ouvia, ouvia, e seguia a trilha deixada, ao pisar o capim, mata dentro. E eu, a frente, levava a sua bandeira, desbravando o inesperado do cotidiano..."
A MÃE DE MINHA MÃE
VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES ( RIO DE JANEIRO-BRASIL)
" Admirável a mãe de minha mãe quando contava as suas velhas histórias, embriagadoras de riso e perfeição criativa, nos fazendo esquecer que faltava de quase tudo nas panelas silenciadas no fogão de sua cozinha. E vivíamos a espera de seu afetuoso convite "Vamos catar pitangas, gurizada?"
De papai, nada sabíamos, apenas que abandonara a casa quando Manoela nascera, e isso já ia para uns 10 anos. A mamãe enlouquecera de dor, nem tanto do abandono amoroso, muito mais quando Quiquinho virou uma estrelinha e passou a habitar o azulão do céu do Senhor e ela conviver num tal Ego, conforme palavras da mãe de minha mãe.
Hoje, exatamente hoje, a mãe de minha mãe afagou nossos corações: fez o convite esperado ao gritar bem cedinho, com a matula já preparada:
- Pula da cama gurizada, vamos catar pitangas! - enquanto arrumava um lenço estampado na cabeça grisalha, sacudia os lençóis, apanhava os puçás e disparava os seus "causos" inusitados ao indagar: Por acaso, eu já contei a vocês " As Aventuras do Capitão Leocádio? - e continuou, fazendo cara de estupefata:
- Não!?
- Não! - disse Manoela.
- Vovó tenho sede! - insinuou Martinho.
- Pronto, aqui está a sua água. - e continuou: - Pois saibam que é uma bela história, dentro de uma outra história, porque nessa mesma mata onde iremos trilhar a procura de pitangas, o esperto Capitão Leocádio - o pai do meu avô -, escondeu um grande tesouro que ganhou dos guaranis quando casou com a bela Indiara, filha do Cacique da tribo, ao capturá-la estalando folhinhas de pitanga dentro da mata virgem, em Arraial do Cabo.
Por uns segundo, a mãe de minha mãe esquecia de tudo, seus olhos duas jabuticabas, brilhavam como se a felicidade em forma de lembranças beijasse o seu coração e a convidasse a bailar. E ela, com toda a sua doçura e expressividade, povoava a nossa imaginação de criança querendo aprender todos os mistérios escondidos, no coração da terra. E quando ela falava, a gente apenas ouvia, ouvia, e seguia a trilha deixada, ao pisar o capim, mata dentro. E eu, a frente, levava a sua bandeira, desbravando o inesperado do cotidiano..."
terça-feira, 1 de maio de 2012
POESIA: CÂNTICOS AOS TRABALHADORES - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES
Foto: MÃE ( Botero )
CÂNTICOS AOS TRABALHADORES
VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES
I
Se a linguagem é imprecisa: L (ab) utamos!
Se o amor não corresponde: L ( ab) utamos!
Se a mão ao traço imola: L (ab) utamos!
Se o osso atravessa o caldo: L (ab) utamos!
Se o leitor nega o círculo: L (ab) utamos!
E porque a vida exige uma transformação: L (ab) utamos!
II
Ó Senhor, dê a todos nós a flor do deslumbramento
e a descoberta dos silêncios,
na poesia da vida,
na solidariedade da terra trabalhada!
III
E se as calosas mãos já não criam: Afaste de nós esse cálice!
IV
Que o vinho embriague, da hóstia, o pão
na mesa não seja apenas batata ou esmola do pedinte,
e que nossos filhos não vivam agarrados as minguadas pensões
de seus pais e avós
VI
E reorganizem a mudança no foco de atenção: com consciência, porque
o tempo não tem realidades, apenas
a juventude da natureza
VII
E livre de estrutura a curva ilumine, do gosto a saliva:
o que encanta o poema!
CÂNTICOS AOS TRABALHADORES
VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES
I
Se a linguagem é imprecisa: L (ab) utamos!
Se o amor não corresponde: L ( ab) utamos!
Se a mão ao traço imola: L (ab) utamos!
Se o osso atravessa o caldo: L (ab) utamos!
Se o leitor nega o círculo: L (ab) utamos!
E porque a vida exige uma transformação: L (ab) utamos!
II
Ó Senhor, dê a todos nós a flor do deslumbramento
e a descoberta dos silêncios,
na poesia da vida,
na solidariedade da terra trabalhada!
III
E se as calosas mãos já não criam: Afaste de nós esse cálice!
IV
Que o vinho embriague, da hóstia, o pão
na mesa não seja apenas batata ou esmola do pedinte,
e que nossos filhos não vivam agarrados as minguadas pensões
de seus pais e avós
VI
E reorganizem a mudança no foco de atenção: com consciência, porque
o tempo não tem realidades, apenas
a juventude da natureza
VII
E livre de estrutura a curva ilumine, do gosto a saliva:
o que encanta o poema!
quarta-feira, 25 de abril de 2012
POESIA :MÃE- VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES
Foto: Maria Amaral Ferreira ( In memorian), mãe da poeta
MÃE
Por: Vanda Lúcia da Costa Salles
I
Um signo marca a tarde, alegria
... nasce desse abril que tanto amavas
Do gesto, o canto samba
II
em gorjeios-pássaro entoam,
e garças plainam no brilho espumoso da maré, loas
um galanteio no azul, é
III
o que de longe imaginas, broto
todo um leque de igual sabor, a esgarçar
sorrisos nas mãos que tocas
IV
E se Deus houvesse lido, linhas essas
E se Deus houvesse lido, linhas essas
que sonhando brindas no fulgor adormecido
da tarde que voa, Ela, com toda certeza
V
compreenderia das lágrimas, o porquê
da vida não medir esforços e refazer
do pranto só ternura e broas, amo
VI
de ti, o canto entoo quando
serena, à noite, aprumo a esperança
e lanço-me veleiro ao mar...
VII
VII
... aberto peito, jorra cascatas, em flor
meus versos são pétalas recém-nascidas, da agonia
e do desacerto, acalanto
VIII
o qual, ninguém entende, nadar frequente
notívago inseto, vago
em Dó maior.
IX
e a mãe, enlaça bandeira e vento em face
Na face Gorki não cala o que a fala engole, o risco
emblemático de bem-te-vis
X
canto a canto,m saliva engasga, um beijo estala
mais atrevido o sonho jorra: caraminholas
e amores-perfeitos
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Vanda Lúcia da Costa Salles
sexta-feira, 6 de abril de 2012
POESIA: COTIDIANO - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)

COTIDIANO
VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)
Para W.J. SOLHA
I
a carta que não escrevi
ainda está gardada,
na gaveta da cômoda,
que é a minha memória a passear pelos jardins,
desse nosso planeta,
vivíssimo,
na molecagem do grafiti
II
em você a poesia tece manhãs outonais
e sei, para desepero de alguns
que o amanhã se estenderá
sobre violetas, gerânios e tantos queiram ser
somente flor
ou do amor,
a mesmíssima pétala
III
aroma gera o desalinho
desses golfinhos
quando veem passarinho verde,na língua
o oceano
invade a sina, e
diz que Arte
é mais e mais que mais
e está além dos nós
IV
ideia tal,
agua o toque,
e te oferto uma água de coco, aqui
em minha rede indígena e tropical
guardada a sete chaves
nesse meu coração gaivota dourada
caos,
em mim
o seu Marco do Mundo,Luz
a embalar minh'alma com alegria e charme
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
POESIA: UM SONHO EM PORT-VENDRES - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES

Foto: Port-Vendres-França
UM SONHO EM PORT-VENDRES
VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)
1
da fonte original
a palavra brinca,
expande-se,
jorra cascata límpida
e prepara-se
mágica
como um sonho em Port-Vendres
2
é verão... na noite a brisa leve
aromatiza o clima
e há um quê
que nem te conto
no ar
3
gatos passeiam na beira do cais,
um ai em mim,
desassossega meu coração de turista virtual
uau!!!
4
na orla marítima: um sonho se alvoroça criança linda.
quem dera fosse essa lua prateada,
a lua
que sonhamos acordados...
5
enxergo na fachada do Tramontane
uma âncora azul,
brota esperança em um peito de poeta
e guardo-me em chave
6
saudade entrelaça os nós,
barcos, barcaças e iates colorem o pier
os turistas alvoroçam as calçadas... Um pelicano pousa seu voo.
7
se o desejo aguça a alma
e esse corpo espreguiça lânguido,
é que a poesia inaugurou-se no sonhar... E se fez encontro!
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
POESIA: NO PAPEL - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)

NO PAPEL
VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)
Transcorre
escorre
o grafiti
lépido
no papel
O risco
transforma:
o sonho
letra mágica
na palma da mão
como um desenho infantil
perfumado de esperança!!!
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