domingo, 14 de abril de 2013

POESIA: O QUE A VIDA TRAZ - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES

Foto: Copacabana -RJ, Brasil




O QUE A VIDA TRAZ


                          VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES




a utopia
não é entrave
na trave
o gol
pinta
Vitória quer que eu lhe conte
o que a vida traz
e nem que lhe diga
Copacabana
será o chão
fincado do tamanho sonho
assegurou Catalã
amiga fagueira da Arte
& Parte
de coração aberto
igual água desse mar tão calmo
que nos invade mente e alma
como uma canção de Roberto
e mesmo que eu prefira Caetano
alguém dirá,
como é possível se pensar que o ser
sucumbe ao caos contemporâneo,
no momento precioso do gozo
nos braços da Rita, diz debochado, o João da Zefa
com a caipirinha na mão
e uma talagada no goto
Escroto, eu?  E tu, que nem sabe de rima?!
Ah, fala sério!
Se bem, que tudo é Museu.



domingo, 7 de abril de 2013

HOMENAGEM: MUKAI -ANA PAULA TAVARES -ANGOLA

Foto: a poeta Ana Paula Tavares-Angola, África





MUKAI*

1 
Corpo já lavrado 
eqüidistante da semente 
é trigo 
é joio 
milho híbrido 
massambala 
resiste ao tempo 
dobrado 
exausto 
sob o sol 
que lhe espiga 
a cabeleira.
2 
O ventre semeado 
deságua cada ano 
os frutos tenros 
das mãos 
(é feitiço) 
nasce 
a manteiga 
a casa 
o penteado 
o gesto 
acorda a alma 
a voz 
olha pra dentro do silêncio milenar. 
 
3 
Um soluço quieto 
desce 
a lentíssíma garganta  
(rói-lhe as entranhas  
um novo pedaço de vida) 
os cordões do tempo  
atravessam-lhe as pernas  
e fazem a ligação terra. 
Estranha árvore de filhos  
uns mortos e tantos por morrer 
que de corpo ao alto  
navega de tristeza 
as horas.
4 
O risco na pele  
acende a noite  
enquanto a lua 
(por ironia 
ilumina o esgoto  
anuncia o canto dos gatos)  
De quantos partos se vive  
para quantos partos se morre 
um rito espera-se faca 
na garganta da noite 
recortada sobre o tempo  
pintada de cicatrizes  
olhos secos de lágrimas  
Domingo, organiza a cerveja 
de sobreviver os dias. 


MUKAI  = MULHER


                             VIVA A LITERATURA AFRICANA EM LÍNGUA PORTUGUESA!!!



 A poetisa e historiadora angolana Ana Paula Tavares venceu o 57° Prémio Internacional de poesia “Ceppo de Pistoia 2013”, soube-se hoje, em Roma (Itália).

Segundo uma nota da Associação cultural angolana Njinga Mbande, da cidade de Florença, o prémio foi atribuído a 21 de Março pela “Accademia Pistoiese del Ceppo”, uma instituição cultural italiana da localidade de Pistoia, na região de Toscana, centro.


Ana Paula, 61 anos, é a primeira poetisa angolana que recebe um prémio internacional de poesia na Itália - segundo a Associação Njinga Mbande.

Natural do Lubango, reside em Portugal, onde exerce docência  universitária. As suas obras poéticas Ritos de passagem (1985), O Lago da Luna (1999), Dizes-me Coisas Amargas como os Frutos (2001), e Ex-votos (2003) já foram traduzidas em francês, alemão, italiano e espanhol  

O Premio Letterario Internazionale Ceppo Pistoia, um dos mais importantes da Itália, foi instituído em 1955 com o objectivo de promover a cidade de Pistoia e valorizar a literatura.




segunda-feira, 25 de março de 2013

CONGRATULAÇÕES DO BRASIL À PHILO YKONYA E A HEMULTH A. NIEDERLE



“ Se os direitos humanos de uma mulher são violados, todos os direitos humanos são violados.”


     UM LIVRO MARAVILHOSO E PLANETÁRIO-      TIME TO SAY:    NO !

Time to Say: NO!
ist ein Projekt des Österreichischen P.E.N.-Clubs
Bankgasse 8, A-1010 Wien. penclub.at / info@penclub.at


Erhard Löcker GesmbH, Wien 2013
ISBN 978-3-85409-665-8



Imperdível e que todos deveriam ler: em prol da alfabetização e educação das mulheres!




Two Songs for Malala

Philo Ikonya, born in Kenya, lives in Norway, writes poems, essays and novels. Board-member of PEN international.
Helmuth A. Niederle, born in Austria, several book publications. Since 2011 President of Austrian PEN.

1.
On the day when Malala Yousufzai was
attacked
Allah shouted
Better
Men don‘t give me
99 names
than dare shoot one of my daughters
for my daughter is I
for her will is ours
because she wants nothing else
but what I love
nothing but
going to school.
Better none calls me
– Ya Hayy –
The Alive, the Living One
to have a long life
I die for her
Better none names me
– Ya Jabbar –
I lose all my names
When she loses hers
Do not call me
The Compeller
protecting from violence, severity or
hardness.
The Just
– Ya ‘Adl –
shouted nobody knows me
many murmur my name
but nobody listens to me
And the attackers sang proudly
praising HIM.
2.
On the day when Malala Yousufzai was attacked
Allah murmured
since mankind supposes
I am male
the troubles started.
How to convince
the human race
I – Allah – I am the big mother
love to suckle the children on my breasts
love to ease the pains
feed the straving
nourish the deserving.
People have nothing else to do
than just lending me their hands
to help.
Killing is not part of my business
and will never be.
How can they do it in my name?
Sisi na Malala. We with Malala
From silent hollows
shall songs come
and a little light
for those who on prison floors lie
Letters will flutter free
for they broken and prisoned for freedom
Malala in her wounds
writes justice for all women
what is it in reading in writing their fear
women find?
What if not freedom and a spirit that dares,
a new flag to raise?
A new flame light in the night?
Can you see Malala thanking you for
caring
for joining her voice in asking for what is
overdue
Her pains bear many women and girls in
sorrow
Then she smiles from a hospital bed and
says Peace
nothing else
Malala and us, we with Malala salaam
speak
They pray today for souls gone before,
we in letters bring voice for souls stolen
from our midst.
Malala salaam, Malala salaama, Malala lala,
Malalala.
May rays of this morning‘s sun hide in
your soul forever
And we all know it is time to say: NO!




quarta-feira, 13 de março de 2013

POESIA: MINHA FLOR EM DELÍRIO - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES





MINHA FLOR EM DELÍRIO


               Vanda Lúcia da Costa Salles




falei falaste cansei cansaste
não é um caso de leite derramado
tivesse falado de amor
aprenderia o silêncio profícuo
e essa dor
que nos espeta nas paredes dessa casa entristecida
 de certo,
mais que caso concreto, seria
um caso estético,
arrimo,
pra quaisquer línguas,
tão lúcida,
explicou-me a minha flor em delírio

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

POESIA: A CURA - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES







                 A  CURA

Verônica abriu-se flor
Cultivastes a pérola,
o camafeu e o espinho
no silêncio das fadas

...   E nas mãos a chave de Antífon.




terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

DIVULGANDO CONVOCATÓRIA: MIL POEMAS PARA ANTONIO GONÇALVES DIAS





       POETAS PARTICIPEM!!!




 Por favor divulguem essa :   MIL POEMAS PARA GONÇALVES DIAS

    Dilercy Adler, psicóloga e poeta, está organizando, com o Instituto Histórico e Geográfico de São Luiz, Maranhão, a Antologia MIL POEMAS PARA GONÇALVES DIAS.

A participação é sem ônus para os poetas. A Antologia terá lançamento em 2013.  
        NOVO PRAZO PARA ENVIO: 31/03/2013 OU ATÉ COMPLETAR OS MIL POEMAS.




                                             NORMAS DOS TRABALHOS:

a) A Antologia: " MIL POEMAS PARA GONÇALVES DIAS"

- Cada poeta poderá apresentar até cinco poemas homenageando Gonçalves Dias. Formato A4, times New Roman, tamanho 12, espaço 1,0.


- enviar adjunto currículo literário resumido ( no máximo 6 linhas), em que conste data de nascimento, cidade e país de origem; com foto atualizada.

- a aceitação dar-se-á na ordem de recebimento da (s) obra (s), até se completarem os 1000 ( mil) poemas, um mesmo autor poderá mandar uma poesia, caso queira enviar outra obra posteriormente, dentro do limite de 5 (cinco) , por poeta, poderá fazê-lo, indicando que já enviou uma primeira obra, sendo colocada todas juntas

                             Envio de Poesias para: dilercy@hotmail.com

   



        ESTUDOS E PESQUISAS

- cada autor ou co-autor poderá enviar até dois (02) textos, com o máximo de 20 (vinte) páginas, formato A4, Times new Roman, tamanho 12, espaço 1, incluindo bibliografia e fotos.

- ao enviar sua obra, deverá vir acompanhada pequena bio-bliografia, com foto atualizada, em que conste o motivo de participar da antologia; cidade e país de origem; 

- a publicação se dará na ordem de recebimento da (s) obra(s). 
Envio de Trabalhos para: vazleopoldo@hotmail.com


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

POESIA: FERVOROSA TERNURA - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES



FERVOROSA TERNURA


                       Vanda Lúcia da Costa Salles




é tão antigo esse sentimento
que atinge a todos nós, de grande
cabe
na ínfima luz
que transparece
no rubor desse amor-perfeito,
amor ambientado,
perfeito amor, quedado
nas covinhas sorridentes
desse rebento em flor
que ora
resplandece
ao nosso lado