Foto: Samuel e Miguel andando de carrinhos (Brasil)
FELIZ NATAL
Vanda Lúcia da Costa Salles
A garotada alegre sorria com os coloridos carrinhos. Um alvoroço na fila anunciava que o tempo não transtornava a possibilidade de experimentar todos os bate-bate. Uma alegria é maior que o deslize de lágrimas impuras.
O menino de camiseta rosa dizia todo prosa agarrado a mão de sua mãe, afastando-se da imensidão de pernas que o impediam de mirar o seu presente de Natal, " sim, mãe, eu quero de presente de Natal um passeio nos bate-bate. Um não, dois. Papai Noel disse que eu pedisse isso para você". A mãe, um pouco amedrontada por conta dos parcos dinheirinhos na bolsa, enxugava um filete de lágrima que teimava ficar em sua face, até secar ao tempo. De súbito, transportada no tempo, em tempo vislumbrou-se pequenina igual ao filho, segurando firme a mão de sua mãe, em frente a padaria do seu Zé da esquina, desejando de presente de Natal as mais saborosas rosquinhas carameladas e que dificilmente entrariam no cardápio da família. No frio da manhã, disse a mãe que queria uma caixa das rosquinhas carameladas como presente de Natal. A mãe nervosa, afirmou categoricamente:
- Nem pensar! - Você sabe que o dinheiro de seu pai anda curto. Mal temos para o grosso, quanto mais para o fino.
Pirracenta, não entendendo nada de economias, chorrava saboreando as rosquinhas com os olhos amorosos em desejos infantis, para depois espichar-se no chão reafirmando o seu amor:
- Mais eu quero! Eu quero! Eu quero! Somente uma caixinha! Uma apenas! É todo o sonho de minha vida!
Não teve jeito. E até aquele instante preciso, compreendeu afinal o porquê de sempre rolar em sua face àquelas lágrimas impuras, indesejadas, tão sonhadoras. Sem pensar, e nem querendo saber se teria o bastante para voltar a casa, correu arrastando o filhote pela mão em direção a fila dos carrinhos coloridos. E sem contar as carinhas de alegria das criançadas, percebeu a imensa alegria de seu filho ao derramar sua felicidade nas faces coradas, no profundo de seu coração, para depois escorrer lentamente como pincelada de um artista consagrando sua obra-prima. Enquanto o filho experimentava o prazer do seu presente de Natal, ela correu os olhos buscando o lugar ideal para dar a si mesma um presente de Natal, e talvez com sorte seria uma rosquinha caramelada, e quem sabe secasse em sua face àquela lágrima impura.
domingo, 23 de dezembro de 2012
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
POESIA: CAMINHO FRACTUAL - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES
CAMINHO FRACTUAL
Vanda Lúcia da Costa Salles (Brasil)
amantes líquidos sementes grãos de sonhos e
utopias quixotescas circulando no compasso de teus
passos eretos sapiens humanoides asteroides vindo em vinho
copo
translúcido igual branca imagem cósmica da coletiva mente
mente e sente o orgasmo tântrico quando o DNA se acopla na
noite
viva que a vida orquestra a vida
e a ave dança majestosamente a dança do
acasalamento quando Nietzsche transvalora
o valor estético da palavra sem ciberespaçopatia do
pensamento eletivo no sorriso cativante de Pierre Lévy e como amo amo o amor das palavras
tuasminhasnossas um ai como podemos como como partícula goma como mais ainda na
cama essa poesia invasora asa afora
loa romã
caos
&
pi
um picolé limão lima limona é nada nada fecunda se no tudo é
onda anda que na ausência flutua a presença tua tão amada como literalmente o
dia nesse dia em que a descoberta não finda nada é permanente se a mente abraça
sinapses estrela-guia na era era tudo o que queríamos
na ternura
do encontro
há quem sonhe
e mergulhe
fundo fundo fundo fundo fundo no abismo oceânico do prazer
e no fundo é somente a fé que vale no vale mais profundo em
que o saborear mais vale no encanto
da floresta
um canto
ecoa
avevoaavevoavoaaveavevoavoaavevoa
sábado, 20 de outubro de 2012
POESIA: ESSE NOSSO AMOR - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES
Foto: Cotidiano (Paris-França), por Chantal
ESSE NOSSO AMOR
Vanda Lúcia da Costa Salles
das artes, o coração da pintura
bate
no embate
com que pincelas
a tela
cotidianamente
esse nosso amor
se disfarça criativo
e revela
o que não deveria ser norma
e sim
apenas canção
ou simplesmente exercício da pena
Quem dera, as uvas fossem o que do bandolim quis a pauta!
ESSE NOSSO AMOR
Vanda Lúcia da Costa Salles
das artes, o coração da pintura
bate
no embate
com que pincelas
a tela
cotidianamente
esse nosso amor
se disfarça criativo
e revela
o que não deveria ser norma
e sim
apenas canção
ou simplesmente exercício da pena
Quem dera, as uvas fossem o que do bandolim quis a pauta!
sábado, 6 de outubro de 2012
POESIA: FLAMINGOS - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES
Foto: Flamingos
FLAMINGOS
Vanda Lúcia da Costa Salles
quando a família chega e agasalha
resvala como um processo de aprendizado integral
intuitivamente optam
e na estética laranja de suas plumagens
a harmonia gera a aprendizagem
da coeducação
FLAMINGOS
Vanda Lúcia da Costa Salles
quando a família chega e agasalha
resvala como um processo de aprendizado integral
intuitivamente optam
e na estética laranja de suas plumagens
a harmonia gera a aprendizagem
da coeducação
domingo, 30 de setembro de 2012
POESIA: NO BICO DO TUIUIÚ - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)
Foto: Tuiuiú
NO BICO DO TUIUIÚ
Por: Vanda Lúcia da Costa Salles (Brasil)
no murmúrio das águas, o esforço do canto
onde palavras não cabem
ao espanto
súbito
do voo
para cada inseto que pula,
seixos adormecem nas margens.
alguma coisa destemida
não silencia ante o bico da ave
que baba
ousar é doutrina da vida,
se bem que no amarelo das flores
ou
nas raízes aquáticas das jiboias
dançam as ondinas e seus séquitos de luz
NO BICO DO TUIUIÚ
Por: Vanda Lúcia da Costa Salles (Brasil)
no murmúrio das águas, o esforço do canto
onde palavras não cabem
ao espanto
súbito
do voo
para cada inseto que pula,
seixos adormecem nas margens.
alguma coisa destemida
não silencia ante o bico da ave
que baba
ousar é doutrina da vida,
se bem que no amarelo das flores
ou
nas raízes aquáticas das jiboias
dançam as ondinas e seus séquitos de luz
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
POESIA: NITERÓI... - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES
Foto: Niterói, por Vanda Lúcia da Costa Salles
NITERÓI - Do Leão e da Doralice
Vanda Lúcia da Costa Salles
A cidade sorria em festa.
fazia fita, mas
o burburinho espantava as moscas
do tédio
das sombras
das nuvens
dos prédios
das pernas apressadas nessa manhã de quarta-feira
em que obrigatoriamenteeeeeeeeeeeeeeeeee
paga-se-á
a receita
se não
o Leão
comerá todo o salário do trabalhador, ano que vem
haverá,
se Deus quiser,
a possibilidade e um samba no pé
pensava Lelé, enquanto
o Mané sacudia a cabeça, e
seguia o ritmo
e a Doralice gritava
"Quem vai? Quem vai? É 1,99, patrão!"
II
Escorregando-se da mão de sua mãe, a criança admirada
seguia
o cheiro de fritura de pastéis
III
A poética urbana, no centro
não incomodava a passagem da lavadeira e sua filha
nem quem seguia o apito das barcas que atracava
NITERÓI - Do Leão e da Doralice
Vanda Lúcia da Costa Salles
A cidade sorria em festa.
fazia fita, mas
o burburinho espantava as moscas
do tédio
das sombras
das nuvens
dos prédios
das pernas apressadas nessa manhã de quarta-feira
em que obrigatoriamenteeeeeeeeeeeeeeeeee
paga-se-á
a receita
se não
o Leão
comerá todo o salário do trabalhador, ano que vem
haverá,
se Deus quiser,
a possibilidade e um samba no pé
pensava Lelé, enquanto
o Mané sacudia a cabeça, e
seguia o ritmo
e a Doralice gritava
"Quem vai? Quem vai? É 1,99, patrão!"
II
Escorregando-se da mão de sua mãe, a criança admirada
seguia
o cheiro de fritura de pastéis
III
A poética urbana, no centro
não incomodava a passagem da lavadeira e sua filha
nem quem seguia o apito das barcas que atracava
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
POESIA: CAPIM DOURADO - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)
CAPIM DOURADO
Vanda Lúcia da Costa Salles (Brasil)
você dialogava
introduzindo a sua teoria
literária
quando o velho cacique
trançou o cocar
com seus dedos octogenário
e do capim dourado surgiu
a verdadeira história
da floresta
(Alcântara-São Gonçalo, 03 de setembro de 2012)
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